MUNDIAL DE MOTOCROSS 2015 – MXGP ÚLTIMA ETAPA + BONUS

Bom dia galera, como vão vocês?

Sim, sei que demorei mas em tese essa é minha última matéria da temporada 2015 do Mundial de Motocross e então resolvi fazer e refazer até ficar algo dígno de se despedir com chave de ouro. Essa matéria será um pouco diferente e vocês vão entender o porque!

Sem mais delongas, há uns três dias atrás vocês acompanharam aqui no Asupercross a matéria da definição do título da MX2, e se não acompanharam basta clicar aqui, e imaginem, se estava dificil de 250cc, imagina com as monstruosas 450cc, subindo e descendo as ribanceiras típicas de Glen Helen? Sinceramente, esses caras são verdadeiros guerreiros.

 1ª Bateria

Logo quando caiu o gate pra primeira bateria das big bikes, quem tomou a ponta e puxou o time para a primeira curva foi Cooper Webb. Sorte de novato, eu também achei que fosse, e por falar em primeira curva, essa deixou no chão e tirou do restante do final de semana um cara que falamos bastante por aqui, Shaun Simpson, que foi retirado da pista com auxílio médico.

Daí pra frente começou uma das baterias mais legais que já vimos, Toni Cairoli que acabou de voltar de contusão se colocou a frente de Webb, mas o jovem piloto americano não perdoou e logo retomou a ponta.

Quem vinha mais atrás era o americano Josh Grant, no maior estilo “sangue no zoio” (Obs: Josh Grant andou nesse final de semana o que não andou o ano todo) e após ultrapassar Antonio Cairoli começou a pressionar Webb pela primeira colocação, dando início a uma das melhores batalhas da temporada, enquanto Romain Febvre vinha na quarta colocação buscando Antonio Cairoli! Vamos conferir:

Após essa incrível batalha que você viu acima, Josh Grant liderou o maior número de voltas porém foi vítima do forte calor que atingia Glen Helen, e no final da prova devolveu a colocação para Webb que trazia em seu encalço Romain Febvre. A partir daí a disputa pela liderança se estendeu até o final, com direito a uma ultrapassagem simplesmente maravilhosa de Febvre em Webb em uma das muitas ribanceiras da pista situada em San Bernardino. Webb manteve a pressão e os dois cruzaram a linha de chegada com poucos segundos de distância, trazendo Grant em terceiro e Cairoli em quarto.

2ª BATERIA

Assim que caiu o gate da segunda bateria, o italiano Antonio Cairoli que acabou de voltar de lesão pulou na frente e começou a puxar a fila trazendo Grant, Webb, Bobrishev e Febvre. Após algumas voltas começaram os ataques de Grant em cima do italiano, que deixava nítido o quanto estava forçando para segurar o americano. Grant assumiu a liderança, enquanto Cairoli ia caindo de ritmo até abandonar a bateria. Cooper Webb cometeu um erro enquanto disputava com Evgeny Bobrishev e perdeu a posição para Febvre, que passou por Bobrishev sem maiores problemas e passou a atacar Grant pela primeira colocação.

Josh Grant em ação em Glen Helen. foto: vurbmoto

Josh Grant em ação em Glen Helen. foto: vurbmoto

O piloto americano não cedeu aos ataques do campeão mundial, e venceu a segunda bateria com braveza, comemorando muito o melhor resultado de sua temporada, tendo uma ajudinha de Febvre que deixou a moto cair na saida de uma curva a poucas voltas do fim.

Resultado Geral

O atual campeão Romain Febvre saiu dos Estados Unidos com a vitória na geral, mostrando que mesmo já estando com o título carimbado, Febvre não está para brincadeira. Fecha seu ano com chave de ouro e deixa uma prévia pro motocross das nações.

Mesmo já com o título já em mãos, Febvre não aliviou a mão e mostrou aos americanos que o bicho vai pegar em Ernee na França, palco do MxON 2015 nesse final de semana. Febvre precisou de 1-2 para sair de Glen Helen com a vitória geral e selar seu ano de 2015. foto: MXGP

Mesmo já com o título já em mãos, Febvre não aliviou a mão e mostrou aos americanos que o bicho vai pegar em Ernee na França, palco do MxON 2015 nesse final de semana. Febvre precisou de 1-2 para sair de Glen Helen com a vitória geral e selar seu ano de 2015. foto: vurbmoto

A segunda colocação ficou com ele, Josh Grant! O bom rendimento do piloto em Glen Helen não é algo novo, em 2014 Grant ganhou uma bateria do AMA Motocross com mais de 30 segundos de vantagem, aqui mesmo, em Glen Helen.

Josh Grant dá adeus a Kawasaki e digamos que foi um belo adeus. 3-1 deram ao piloto a segunda colocação na geral apenas 2 pontos atrás de Febvre. foto: MXGP

Josh Grant dá adeus a Kawasaki e digamos que foi um belo adeus. 3-1 deram ao piloto a segunda colocação na geral apenas 2 pontos atrás de Febvre. foto: MXGP

A terceira colocação ficou com ele, Cooper Webb. O jovem talento americano fez sua primeira aparição com uma 450 em Glen Helen e digamos que foi fantástico! Webb que ainda tem bons anos de 250cc se mostrou totalmente a vontade com a moto, e prova disso foi a terceira colocação na geral após um resultado incrível de 2-3.

Um fato que me chama muita atenção foi a fácil adaptação de Webb a moto, se comparado com Marvin Musquin por exemplo, concorrente direto de Webb no AMA, que já andou com os modelos de maior cilindrada em outras ocasiões e não chegou nas 8 primeiras posições. Isso talvez justifique o porque de Webb andar na categoria OPEN no MXON, nesse próximo final de semana, e deixar Jeremy Martin nas 250cc. Sábia escolha.

Cheio de estilo, Cooper Webb foi protagonista das maiores batalhas do dia, enchendo seus fãs daquilo que chamamos de "American Proud" ou Orgulho americano. 3º na geral após 2-3 para o pequeno astro do time Yamaha. foto: vurbmoto

Cheio de estilo, Cooper Webb foi protagonista das maiores batalhas do dia, enchendo seus fãs daquilo que chamamos de “American Proud” ou Orgulho americano. 3º na geral após 2-3 para o pequeno astro do time Yamaha. foto: vurbmoto

Dean Wilson foi outro piloto americano a figurar entre as 5 primeiras posições, com a quarta colocação na geral, Wilson foi o único representante da KTM a figurar entre os 8 primeiros.

Dean Wilson leva sua KTM a 4ª colocação na geral da última etapa do Mundial de Motocross após um 7-4. foto: MXGP

Dean Wilson leva sua KTM a 4ª colocação na geral da última etapa do Mundial de Motocross após um 7-4. foto: MXGP

A quinta colocação ficou nas mãos de um piloto europeu, Glen Coldenhoff. O garoto holandês que chegou a vencer um GP nessa temporada fecha o nosso top5 após dois 6º lugares.

Glenn Coldenhoff jogando sua Suzuki para baixo em Glen Helen para faturar a 5ª colocação na geral. foto: MXGP

Glenn Coldenhoff jogando sua Suzuki para baixo em Glen Helen para faturar a 5ª colocação na geral. foto: MXGP

Gostaria de destacar a atuação de Antonio Cairoli. O italiano que sofreu uma forte lesão no pulso, chegou a perder os braços em uma das muitas erosões que a pista de Glen Helen apresentou, e mesmo assim manteve entre os 5 primeiros na primeira bateria e após o holeshot da segunda, sabiamente resolveu abandonar. Garra e determinação que fazem de Cairoli um eterno campeão! Que venha a temporada 2016 para o Italiano.

Quem me dera um dia andar o que o Cairoli andou recém recuperado de uma lesão. foto: vurbmoto

Quem me dera um dia andar o que o Cairoli andou recém recuperado de uma lesão. foto: vurbmoto

Outro grande guerreiro esse final de semana o brasileiro Antônio Jorge Balbi, que alinhou e disputou de igual pra igual a última etapa do Campeonato Mundial de Motocross. Confesso que devido a temporada relativamente abaixo da média, eu não botava muita fé no piloto brasileiro e sua aparição no mundial de Motocross; mas fico feliz e contente de dizer que eu estava enganado.

Na primeira bateria, Balbi caiu na largada no mesmo incidente que envolveu Shaun Simpson e preferiu unir esforços para segunda. Com uma largada mediana por volta da 23ª colocação, o brasileiro acelerou forte e finalizou na 17ª colocação conquistando 4 pontos no campeonato.

Nosso representante brasileiro, representou em Glen Helen! foto: MXGP

Nosso representante brasileiro, representou em Glen Helen! foto: Página do piloto

Classificação Final do Campeonato

  1. Romain Febvre 735 pts – Vencedor do GP e Campeão da temporada 2015
  2. Gautier Paulin 592 pts – 7º no GP
  3. 3) Evgeny Bobrishev 567 pts – 6º no GP
  4. 4) Shaun Simpson 481 pts – Abandonou o GP
  5. Jeremy Van Horebeek 449 pts – 8º no GP
  6. Max Nagl 442 pts – Fora dos 8 primeiros
  7. Antonio Cairoli 432 pts – Pontuou somente na primeira bateria
  8. Glenn Coldenhoff 423 pts – 5º no GP
Pódium do GP. foto: MXGP

Pódium do GP. foto: vurbmoto

O mundial acabou, mas ainda temos nesse final de semana o maior dos eventos do mundo, o Motocross das Nações. Como se fosse uma copa do mundo, só que muito mais legal. O que devemos esperar desse Motocross das Nações?

Primeiramente devemos esperar a edição mais louca de todos os tempos. Desde o começo do ano o pavio da “rivalidade” entre o Motocross Americano e o motocross Europeu está aceso, com a chegada de Villopoto ao Mundial e as últimas edições do Motocross das Nações terem sido um chute bem no meio das pernas dos americanos, visto que a última vitória dos americanos foi em Saint Jean D’Angelly em 2011 (se não me engano).

Na minha opinião os americanos não vão tirar o atraso nessa edição. A pista de Ernée possui um solo duro e uma topografia que não vemos sempre nos Estados Unidos. É nítida a mudança das características típicas dos dois campeonatos, usando Glen Helen como exemplo, os traçados usados no AMA e no Mundial eram idênticos, a diferença é que no Mundial as manutenções eram feitas com uma grade muito mais fina, facilitando a formação de buracos e de canaletas, diferente do AMA onde a grade grossa transformava a pista em um grande tapete, a menos nas primeiras voltas.

Pista de Ernee! São nessas retas que os melhores pilotos do mundo irão defender com unha dos seus países! foto: Instagram

Pista de Ernee! São nessas retas que os melhores pilotos do mundo irão defender com unha dos seus países! foto: Instagram

Ainda sobre o nações, meu palpite de vitória vai para o time francês, que além de estar correndo em casa não está desfalcado como a maioria de seus principais rivais. O time francês é composto por Romain Febvre (campeão mundial), Gautier Paulin (2º lugar no Mundial) e Marvin Musquin (2º lugar no AMA Motocross). Fraco né?

Time francês que disputará o Motocross das Nações. foto: brmx

Time francês que disputará o Motocross das Nações. foto: brmx

Enquanto o time francês vai completo, seus principais rivais estão desfalcados. Itália sem Cairoli, EUA sem Dungey, Bélgica sem Clement Desalle, Alemanha sem Roczen…

Outro fato importante para essa temporada é que pela primeira vez vejo a equipe brasileira indo com um time com potencial de classificação. Nossos queridos pilotos que irão defender as cores de nosso país no MXON 2015 são Fabio Moranguinho Santos (Fabinho), Jean Ramos e Thales Villardi. Ambos em grande destaque no cenário nacional e com plenas chances da tão sonhada classificação. Infelizmente o motocross brasileiro ainda vem atrás de grandes interesses financeiros das marcas, patrocinadores e de quem comanda a parada por trás daquilo que conseguimos ver, mas esse ano estamos indo completos, e acreditamos em vocês!

Time brasileiro já esta na França treinando! foto: Miguel Campano

Time brasileiro já esta na França treinando! foto: Miguel Campano

O que dizer desse final de temporada? Primeiramente não to sabendo lidar, foram 18 GP’s em que estive aqui, escrevendo com o ânimo a flor da pele e dando o meu máximo para que vocês apreciem nossas matérias. Irei sentir saudades de vocês até a próxima temporada, e meu único desejo é que ela seja tão empolgante e insana quanto foi essa. Agradeço a todos vocês que curtiram, comentaram, sugeriram e participaram de nossas matérias. Agradeço ao Alessandro e a Fê por mais um ano de parceria e por acreditar em nosso trabalho; sem vocês nada disso seria possível.

Nos vemos lá na Braaap Brother’s! www.facebook.com/braaapbrothers

Um forte abraço e até a próxima!

Luiz Nascimento

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